“Ghibli” no ChatGPT Vira Febre na Internet, Mas Acende Alerta Sobre Direitos Autorais e IA em 2025

Por: Mari Barbosa

LOS ANGELES (AP) — Uma nova onda de imagens no estilo Studio Ghibli, geradas pelo ChatGPT, está dominando as redes sociais, mas especialistas alertam para os riscos de violação de direitos autorais e o impacto da inteligência artificial no trabalho de artistas humanos.

Fãs do renomado estúdio japonês, responsável por clássicos como “A Viagem de Chihiro” e “Meu Vizinho Totoro”, estão usando a ferramenta de IA generativa para transformar memes e fotos pessoais em ilustrações que imitam o traço único do lendário Hayao Miyazaki. No entanto, a tendência levanta questões éticas sobre o uso de obras protegidas para treinar modelos de IA sem autorização.

Como a “Ghiblificação” no ChatGPT se Tornou Viral?

A febre começou quando a OpenAI, criadora do ChatGPT, lançou uma atualização que permite aos usuários aplicar estilos artísticos específicos a imagens. Em poucos dias, milhares de pessoas compartilharam versões “ghiblificadas” de fotos de animais de estimação, memes icônicos e até cenas do cotidiano.

Janu Lingeswaran, um empreendedor alemão, testou a ferramenta com uma foto de seu gato Mali e ficou impressionado com o resultado.
“Parecia que meu gato tinha saído diretamente de um filme do Studio Ghibli”, disse ele, revelando que planeja imprimir a imagem para decorar sua casa.

Memes conhecidos ganharam “nova cara” (Foto: Redes sociais, Reprodução)

Outros exemplos que viralizaram incluem:

  • O meme “Disaster Girl” (a menina sorrindo com uma casa em chamas ao fundo) no estilo Ghibli.
  • O atirador olímpico Yusuf Dikec em uma pose descontraída, transformado em um personagem de anime.
  • Até mesmo o perfil do CEO da OpenAI, Sam Altman, no X (antigo Twitter), foi alterado para um retrato no estilo Miyazaki.

Hayao Miyazaki e sua Rejeição à IA: “É um Insulto à Vida”

Enquanto a internet se diverte com as criações em IA, as declarações contundentes de Hayao Miyazaki, de 84 anos, sobre tecnologia generativa voltaram a circular. Em 2016, durante uma demonstração de animação por IA, o cineasta disse estar “completamente enojado” com os resultados.

“Quem cria essas coisas não tem ideia do que é dor”, afirmou Miyazaki, relembrando um amigo com deficiência que luta para cumprimentá-lo. “Nunca usaria essa tecnologia no meu trabalho. É um insulto à vida.”

Sua postura reflete uma resistência à automação na arte, defendendo o trabalho manual e a expressão humana como pilares da animação.

OpenAI e a Polêmica do Treinamento de IA com Obras Protegidas

OpenAI afirmou em um comunicado que sua ferramenta evita copiar artistas vivos, mas permite estilos de estúdio amplos — como o do Studio Ghibli. No entanto, a empresa não confirmou se possui licença para usar as obras de Miyazaki em seus modelos.

Josh Weigensberg, especialista em direitos autorais, explica:
“Se a IA foi treinada com filmes do Ghibli sem permissão, isso pode ser uma violação. Estilo não é protegido por lei, mas elementos específicos das animações podem ser.”

A artista Karla Ortiz, que está processando empresas de IA por uso indevido de obras artísticas, criticou a OpenAI:

“É exploração. Eles usam a marca Ghibli para promover seu produto, sem respeito pelos criadores.”


Casa Branca Usa IA no Estilo Ghibli em Post Polêmico

A polêmica ganhou novo capítulo quando a conta oficial da Casa Branca no X postou uma imagem no estilo Ghibli de uma mulher dominicana presa por imigração. A publicação gerou revolta, incluindo da própria Karla Ortiz, que classificou o uso como “sujo e desrespeitoso”.

Até o momento, nem a OpenAI nem o Studio Ghibli se pronunciaram sobre possíveis ações legais.

O Futuro da Arte e IA: Onde Está o Limite?

A discussão vai além do Studio Ghibli e atinge o cerne do debate sobre criatividade, autoria e tecnologia:

  • Artistas humanos podem ser prejudicados se IA reproduzir seus estilos sem compensação.
  • Fãs veem valor na democratização da arte, mas não querem prejudicar seus ídolos.
  • Empresas de IA precisam equilibrar inovação com ética e direitos autorais.

Enquanto a “ghiblificação” continua viral, uma coisa é certa: o conflito entre IA e direitos autorais só está começando.

A Magia de Ghibli Pode Ser Replicada, Mas a Essência Humana Não

Hayao Miyazaki construiu seu legado com traços feitos à mão e histórias que celebram a humanidade. Apesar da tecnologia permitir imitações, a pergunta que fica é: vale a pena sacrificar a autenticidade pela conveniência?

Enquanto isso, fãs, artistas e legisladores terão que enfrentar juntos os desafios dessa nova era digital.

E você, o que acha?

  • A IA é uma ferramenta criativa ou uma ameaça aos artistas?
  • O Studio Ghibli deveria processar a OpenAI

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